quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Onde foi que eu errei? O que está acontecendo com os filhos de pastores?

“Onde foi que eu errei?” Este era o bordão de um personagem protagonizado por Jorge Dória em um programa humorístico da TV brasileira e expressava a desilusão de um pai que havia criado o filho na expectativa de que fosse um garanhão, ao se dar conta de que seu filho era gay. Talvez por não ser considerado politicamente correto, o quadro acabou extinto.

Recentemente o filho adotivo do bispo Edir Macedo protagonizou um episódio escandaloso em que aparece em vídeos postados no Youtube, fazendo gestos obscenos e indicando simpatia com o satanismo. Moysés foi adotado quando sua mãe o deixou recém-nascido na porta da Igreja Universal na Abolição, RJ. Como não tinha filho varão, Macedo resolveu adotá-lo. Ao chegar à adolescência, demonstrou ter talento musical, e foi lançado pela gravadora Line-Record, primeiro como cantor gospel, e depois, como cantor pop. Uma de suas músicas entrou na trilha sonora de uma novela da emissora do pai. Apesar da criação cristã que recebera ( sem levar em conta as doutrinas da igreja de seu pai… ), rebelou-se, tornando um motivo de constrangimento para sua família e toda a direção da igreja.

Infelizmente, este não é um caso isolado. Como Moyses, muitos outros filhos de pastores têm se rebelado contra tudo o que aprenderam. Um exemplo é o filho de Billy Graham, o maior evangelista do século XX. Franklyn Graham envolveu-se com drogas, abandonando os princípios nos quais seus pais o educaram. Somente aos 22 anos teve um encontro real com Cristo, e hoje é o herdeiro do ministério de seu pai.

Outro caso que tem repercutido na mídia é o de Katy Perry, filha de pastores pentecostais, que recebeu uma criação rigída, chegando a cantar no coral da igreja, e hoje está entre as principais estrelas da música pop mundial. Canções que fazem apologia ao homossexualismo feminino estão em seu repertório, para vergonha de seus pais. Numa recente entrevista à revista Rolling stone, Perry declarou que apesar de sua contuda mundana, ainda cultiva o hábito de falar em línguas.

Poucos sabem que o escândalo que ficou conhecido como “a oração da propina” foi protagonizado pelo filho do líder de uma das maiores denominações neopentecostais do País.

Fica a pergunta: o que estaria acontecendo com os filhos dos pastores?

Um comentário:

Luis Vulcanis disse...

É evidente que existem inúmeros fatores que levam filhos e filhas de pastores a este tipo de comportamento, e que cada caso deve ser visto de forma isolada. Mas algo que tem me chamado a atenção é uma revolta generalizada com uma igreja que trata os pastores (seus pais) com total descaso e desconsideração. Perseguições, calúnias, falta de remuneração adequada, brigas e toda uma gama de pressões que os pastores vem sofrendo tem levado seus filhos a um abandono da igreja por não encontrarem na mesma o apoio, amizade e companheirismo que deveriam encontrar.

Parece que estamos vivendo um evangelho de mentira. Há uma mediocridade cristã generalizada em nossas igrejas, e quem mais sofre são os pastores que acumulam uma carga pesada demais que os leva, muitas vezes, a uma negligência com a família.

Tenho visto muitas filhas de pastores afirmarem que não conseguem se imaginar casadas com pastores justamente pelo convívio com o sofrimento de seus país.

É uma pena, mas é real.